Sábado, Fevereiro 10, 2007

"o calor das cobertas
não me aquece direito

não há nada no mundo
que possa afastar esse frio do meu peito"

:(

Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007


E há quanto tempo eu não piso meus pés nessa areia macia? Quanto tempo eu nao sinto esse cheiro, não ouço essa canção? Quanto tempo a rotina preencheu as lacunas, fechou meus poros, derrubou meu prazer?

Eu estou de volta ao lar.

Sexta-feira, Dezembro 29, 2006


mais um ano pra trás e chega a hora de amassar e jogar fora o papel onde se anotou as promessas (falsas) do ano (passado).
chega a hora de respirar fundo e ver quais são os "novos" objetivos, aqueles que daqui um ano estarão no fundo de uma lixeira qualquer.
estudar mais, procurar um emprego, levar as coisas mais a sério, emagrecer uns quilos...
eu passaria horas enumerando algumas "metas" a serem cumpridas, mas só se de fato elas fossem cumpridas e acredite, elas não serão. não por mim.
sem dúvidas um ano de mais ganhos que perdas.
novas pessoas, novos motivos, novos horizontes, novas maneiras de enxergar as coisas em minha volta, novos valores, novos apegos, novos desapegos.
eu não consigo enxergar essa linha divisória de um ano para o outro, mas já que é assim; que venha 2007.
com suas quedas, com suas risadas, com seu amadurecimento, com seus amores, com sua cor, com sua vida.

e de verdade? o meu não poderia começar de melhor maneira.



DOM - 31/dez
FESTA DE ANO NOVO (Marco Zero)
22h Volver
23h DJ Dolores e Aparelhagem
00h30 Los Sebosos Postizos
02h Los Hermanos

Sábado, Dezembro 23, 2006

"Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir. "

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

"...amanheci em cólera. não, não, o mundo não me agrada. a maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. e o amor, em vez de dar, exige. e quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. mentir dá remorso. e não mentir é um dom que o mundo não merece."

clarice, óbvio.

Segunda-feira, Novembro 27, 2006


...trezentos e sessenta graus.

Sábado, Junho 10, 2006

Namorar tem gosto de pêra. Saudade tem gosto de cebola crua.

Quarta-feira, Junho 07, 2006





A voz se cala. Passos ameaçam se perder no meio da estrada. O que terá após a curva? Os ruídos irritam a alma amedrontada.
Não, não me pergunte sobre essa dor. Agora os barulhos impregnam o espaço e fico com o desejo de parar esse tempo que foge. Passou... Até quando? Não, não é eterno. Até quando é que eu não sei. Isso corta, corta e corta. O sangue eu nem quero ver. Que parte me cabe nesse mundo de astrais brilhantes? Que parte me cabe nessa terra de pedra e osso? Devaneios perdidos num olhar melancólico. Sem mais.

Quarta-feira, Maio 17, 2006


Se tivesse acreditado nas minhas brincadeiras de dizer a verdade, teria ouvido as verdades que eu insisto em dizer brincando. Falei muitas vezes como um palhaço, mas nunca desacreditei na seriedade da platéia que sorria.

Sexta-feira, Maio 12, 2006

200 miles away from home
200 miles beneath this lake is where my heart belongs
But you don't care at all
You wouldn't even smile if I were screaming as the water filled my lungs
You demand to be chased for your love
My desperate heart is far too weak to run for you this long
But you don't care at all
There nothing I can do to draw you close to me
Can you take this silence like a pill so I can breathe again
I've been trying to forget the best parts of you
But I'm still hoping that I'll be with you somehow
Please be home tonight
I'll die if I don't get a chance to make this just right
I'm sorry but I can't forget about the way I feel
Every time you're here.
What would it take for me to be with you
I swear I'd rip my heart out if you said you'd be impressed
I'd go so far to please you but I bet you wouldn't care at all
Hopeless love please leave me
This broken heart is far to weak to run for you this long
Why don't you care?
I'm dieing for a place in your heart.
Can you take this silence like a pill so I can breathe again
I've been trying to forget the best parts of you
But I'm still hoping that I'll be with you somehow
Please be home tonight
I'll die if I don't get a chance to make this just right
I'm sorry but I can't forget about the way I feel
Every time you're here.
Hopeless love, why did you carve your home in me?
This broken heart is too weak to hold your weight
And now I regret the day we met
And help me forget your name.

Segunda-feira, Maio 01, 2006


quando se tem dois caminhos pra escolher é fato que passarás por problemas.
de um lado o óbvio te espera, a felicidade amena, o visível que de certa forma já se tornou previsível. mas me diz se não é isso que buscamos de verdade? o chão.

eu não, eu tenho asas, prefiro voar. ir lá cima tocar as estrelas pra assim saber se me acostumo com elas.
eu que sempre fui tão acostumada a perpetuar valores me vejo hoje atirando eles sem dó pela janela.

pela primeira vez sinto que tô agindo corretamente sem agir do meu jeito.

Terça-feira, Abril 25, 2006

o rei mandou dizer que você já não gosta tanto assim.
que a vontade de cuidar sem limites foi pro beléléu.
o rei mandou dizer que eu estou triste. que dói tudo.
mandou dizer que eu descobri que estou com medo de te perder.
o rei estranha toda essa mudança de humor, assim de repente.
mas o rei já sabia que iria ser difícil:
murmurava sempre no meu ouvido que eu nunca soube lidar com as pessoas.
a babaca.

ops! o rei mandou eu não ficar me anulando.
não merece, né? o outro...
poxa, seu rei... por que a gente se submete tanto por amor, hein?
por que nos pisam e a gente continua lá?
por que o medo todo?
a insegurança parece sim maior que eu.
e não é?
não, certo?
acho que ouço o rei mandar dizer que eu não posso baixar a cabeça.
passa que nem uva-passa?
Meu catavento tem dentro o que há do lado de fora do teu girassol
Entre o escancaro e o contido,
eu te pedi sustenido e você riu bemol
Você só pensa no espaço,
eu exigi duração
Eu sou um gato de subúrbio,
você é litorânea
Quando eu respeito os sinais vejo você de patins
vindo na contramão
Mas quando ataco de macho,
você se faz de capacho e não quer confusão
Nenhum dos dois se entrega,
nós não ouvimos conselho
Eu sou você que se vai no sumidouro do espelho
Eu sou do Engenho de Dentro e você vive no vento do Arpoador
Eu tenho um jeito arredio e você é expansiva, o inseto e a flor
Um torce pra Mia Farrow, o outro é Woody Allen
Quando assovio uma seresta, você dança havaiana
Eu vou de tênis e jeans, encontro você demais, scarpin, soiré
Quando o pau quebra na esquina, cê ataca de fina e me ofende em inglês
É fuck you, bate bronha e ninguém mete o bedelho
Você sou eu que me vou no sumidouro do espelho
A paz é feita num motel de alma lavada e passada
Pra descobrir logo depois que não serviu pra nada
Nos dias de carnaval aumentam os desenganos
Você vai pra Parati e eu pro Cacique de Ramos
Meu catavento tem dentro o vento escancarado do Arpoador
Teu girassol tem de fora o escondido do Engenho de Dentro da flor
Eu sinto muita saudade, você é contemporânea
Eu penso em tudo quanto faço, você é tão espontânea
Sei que um depende do outro só pra ser diferente, pra se completar
Sei que um se afasta do outro, no sufoco, somente pra se aproximar
Cê tem um jeito verde de ser e eu sou meio vermelho
Mas os dois juntos se vão no sumidouro do espelho
(Guinga e Aldir Blanc)

Segunda-feira, Abril 24, 2006



"...eles tem razão quando vem dizer que eu não sei medir nem tempo e nem medo."

Terça-feira, Abril 04, 2006

existe um outro nome pra solidão?

e pras noites que eu achei que tu estaria aqui comigo, existe?

existe outro nome pra diferente?

e pra se sentir diferente, existe?

existe um outro nome pra angústia, pro coração apertado, pro desejo que sempre foi guardado?

pra cores? sim, elas mesmo, as cores. existe?

e pra sabidamente saber esperar amanhã?

que nome se dá quando se sente saudade de uma coisa que a gente nem sabe se de fato nos deixaria saudade?

Domingo, Março 26, 2006

sim, tem algo errado.
mas não sei se no fundo o problema está em mim ou em você.
em mim por ter desde o começo maquiado seus erros, ou em você por me achar ingênua demais ao ponto de nunca enxerga-los.
tudo que ofereci pra você foi verdadeiro, desde o começo.
te dei a chave de uma porta que eu considero a mais difícil de abrir e a partir daí eu passei a te chamar de amiga.
eu sou fraca por não ter conversado com você, mas eu não me senti na obrigação de entender os erros de uma pessoa que estava dando passos na direção errada conscientemente.
eu não quero buscar verdades porque hoje elas não me interessam mais.
teus meios são estranhos e eu prefiro mantê-los longe de mim, por que eu nem sequer consigo compreende-los.

se um dia for real eu vou estar aqui; sempre.

Quarta-feira, Março 15, 2006

"vc existe!!! eh minha... e nunca mais vai deixar de ser..."

(?)

Para encontrar um amor, seja calmo. Quando menos espera ele irá aparecer. Pouco importa como irá conhecê-lo ou reconhecê-lo. Você o identificará pelas batidas de seu coração. Inicialmente tudo não passará de uma brincadeira, mas cuidado, esse jogo pode ser muito perigoso, e palavras não voltam atrás.
Receios, medos, dúvidas, essas não faltarão, mas com o tempo todas as verdade lhes serão reveladas. Eis que seu coração se abre, a saudade multiplica, corpo e alma são envoltos por um só sentimento.
Após algum tempo as palavras já não serão mais necessárias havendo compreensão no silêncio, podendo enxergar através do olhar, e então, você descobre que a verdadeira beleza consiste no coração, e pouco importa o que aconteça, esse será eternamente belo pra ti.
Quando precisares de consolo as recordações serão alento, se quiserdes uma canção, sua respiração será o som mais doce e suave que já ouvistes, e havendo necessidade de conselho, certamente, não haverá palavras mais sábias para lhe confortar.
Contudo, ainda que seu sonho fracasse em meio ao caminho, lembre-se, somos seres apaixonáveis, e todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo novo, de novo, e de novo, e quantas vezes foram preciso. Porque tudo em nós se resume a uma única necessidade... amor!

...

Terça-feira, Março 14, 2006

I saw an angel.
Of that I'm sure.
He smiled at me.
He was with another woman.
I saw your face in a crowded place
And I don't think that I'll see again
But I won't lose no sleep on that

Segunda-feira, Março 13, 2006


Eu entrego todos os pontos,
e troco um coração por toda razão POSSÍVEL e IMAGINÁVEL. Toda...

É certo, uma coisa é saber, outra é constatar... e eu constatei!
Vi todos meus mais puros sentimentos em alguém. Entendes?
Aquele dos planos, do extâse, da entrega. Aquele mesmo que disse:
-Confias em mim?

Esse que pediu pra que eu não entrasse, pra que não chegasse tão perto. Burro e insistente lá foi meu coração, crente que poderia sarar a dor, dar-lhe um renovo de vida. E mal sabia que já era feito por conta própria. Mal sabia...

Que sentido mais nobre haveria a palavra AMOR se dentro dele couber o egoísmo? E que direito eu tenho a não ser o de abrir mão dos meus próprios sentimentos? Nenhum outro a não ser o do intenso desejo que sejas feliz...

...comigo, ou se mim.

Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006

Há incômodos que prendem os nossos pés no chão nos momentos em que eles mais queriam levitar. Principalmente quando tudo dentro de uma relação se mostra sendo tomada por uma onda de “achismos”. “Eu acho que sinto isso” ou “eu acho que o que está rolando é aquilo”... E nós ficamos tais quais uns loucos procurando a segurança que só um “É de fato” pode proporcionar. Vasculhamos debaixo do tapete, dentro do armário do banheiro, por detrás dos nossos travesseiros com nossos cheiros misturados... E nada! Por todos os cômodos da casa e dos lugares que passamos, estão estampados cartazes das meias-certezas. Parecendo zombar das nossas fragilidades.
Para nós, de almas deveras extremistas e ansiosas, não existe coisa pior. Vem uma vontade de chutar o pau da barraca e dar um basta. E esquecemos que as relações não vêm com bula nem horário definido para o efeito dos sintomas.

Domingo, Fevereiro 19, 2006

Me parece perigoso olhar pra trás e sendo assim cansei de ser a tia que te dará estrelinhas quando você terminar de fazer aquela lição chata. Abra o livro de história e perceba o quão tu se encaixaria em várias etapas dela. Depois tu pega aquela cartilha que ensina que não basta que tu escreva bonito, ser legível é fundamental. A gramática que tu sempre insiste em deixar de lado te ensinaria que o eu vem antes do tu, e o nós fica mais embaixo quando resolvemos tratar de plural mas tu nunca soube lidar com ele. Prestando um pouco de atenção nas aulas de física você teria aprendido que toda ação corresponde a uma reação de mesma direção mas sentido contrário. Ironicamente possui uma capacidade de se opor a qualquer tentativa de mudança no seu estado de movimento ou repouso. Como que chama isso mesmo?

Ah. Inércia.
Agora o sino tocou então entenda, a aula acabou.

"Don't you see, don't you see that the charade is over?
And all the "Best Deceptions" and the "Clever Cover Story" awards
Go to you
...
I'm waiting for blood to flow to my fingers
I'll be all right when my hands get warm
Ignoring the phone, I'd rather say nothing
I'd rather you'd never heard my voice
You're calling too late, too late to be gracious
And you do not warrant long good-byes
You're calling too late"

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006


Um dissabor capaz de afligir a alma.
Um riso que sem máscaras já teria se tornado um vale de lágrimas.
O estagnar de um círculo vicioso que te alimentava da forma pretendida, a corrosiva.
O teatro se tornando vida real e as máscaras insistindo em se tornar pele.

Cores? Agradeça mas tu nunca se acostumaria com elas.

"Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu? Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez? Cadê aquela outra mulher? Você me parecia tão bem! A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar Quem foi que te ensinou a rezar? Que santo vai brigar por você? Que povo aprova o que você fez? Devolve aquela minha TV que eu vou de vez Não há porque chorar por um amor que já morreu Deixa pra lá, eu vou, adeus Meu coração já se cansou de falsidade"

Sábado, Janeiro 21, 2006

Tabom, eu vou ser bem sincera!Sabe aquela criança que vive dentro de cada um de nós? Que se torna nossa válvula de escape naqueles momentos mais tensos? E que de repente nós lança um fio de esperança, um olhar de ternura, um sorriso doce, que certifica a nós mesmos de que a vida pode e vai ser melhor? Quando somos capazes de captar a imagem que o espelho nos reflete, e enxergar a mesma inocência jamais deixada nos tempos de infância? Pois é, eu descobri que ela ainda vive aqui. Tá lá, me apontando estrelas, me acordando madrugadas à dentro, me colocando diante de meu próprio reflexo e me fazendo questionar naquilo que me tornei - "não foi isso que sonhei pra ti".A gente planeja, cria planos, e depois vem a vida e muda tudo de lugar. Confundindo toda a lógica humana, e sabedoria que um dia por acaso julgamos ter tido.

Minha criança corajosa então,
enxuga minhas lágrimas, segura minha mão.
E implora: - Por favor, não me deixes morrer.


♪ Ouvindo:
Young And Beautiful - Elvis Presley

Sábado, Dezembro 31, 2005

Teria todos os motivos possiveis e imaginaveis pra lamentar. Jogar a culpa na mãe que se intromete, nos kilos a mais, na vida injusta que me obriga a acordar cedo e andar de ônibus todos os dias. Mas não, não dessa vez...Verdade que, não foi possivel sorrir todos os dias. Mas imagine que previsivel? Não haveria o desafio de se tentar sorrir. Embora a listinha de planos tenha sido descartada no primeiro dia do ano, houve outros 364 pra me surpreender. E eu me surpreendi!Não saio com um grande amor, tão pouco com um 0 a mais no banco. Mas com a VERDADE! Voltei a estudar, escrever, fazer planos, ressussitar sonhos, dar asas a toda imaginação, acreditar nas pessoas, e principalmente, em mim mesma. Resolvi tentar, dar uma chance, e não me arrependi. E 2005 pouco, mas MUITO pouco deixou a desejar. Aos desafetos, perdão, e como diz Dona Regina, "da onde te rejeitam não levas nem o pó, menos ainda de ressentimentos". Não há um.Eu deixei de lado a posição de super-heroína, e assumi, cometo erros, mais que ninguém, sou campeã. E muitas vezes não é facil acertar, aliás, a mira mais dificil é do acerto, todas as outras são fatais. Vomitava conceitos, e valores, mas a prática que é bom... só agora eu fui entender.Foram poucos os que permaneceram aqui. E sinceramente, eu prefiro assim.Tive a chance de recomeçar, a chance de aprender. E um ano cercada da MELHOR conquista que um ser-humano pode ter, a VERDADEIRA AMIZADE.

Simplesmente esqueça o balanço,
as coisas nunca estiveram tão equilibradas,
e um coração tão em paz.

2006, tô pronta!

Terça-feira, Dezembro 27, 2005

(...)

Se eu nem sei onde estou,
como posso esperar que algum ouvido me escute?

Ah! Se eu nem sei quem sou,
como posso esperar que venha alguém gostar de mim?

Cecília Meireles

Quarta-feira, Dezembro 21, 2005

"adeus você
não venha mais me negacear
seu choro não me faz desistir
teu riso não me faz reclinar
acalma essa tormenta e se aguenta que vou pro meu lugar

...

é um dom saber envaidecer, por si, saber mudar de tom."

Quinta-feira, Novembro 24, 2005


Ponha o nariz vermelho e torne suas vestes mais apropriadas para a esta ocasião. Mas as máscaras não são o teu forte, e tu bem sabes que nunca se acostuma com elas. Sinto arrepios só de pensar o quão ruim tu deve se sentir por forjar uma situação para enganar a sim mesmo.
Não dá, tu não consegue, não custa 5 minutos para que tu atires essa máscara longe e deixe com que todos percebam o quanto as lágrimas molharam o teu rosto. Encharcado, mas por hora é melhor o sorriso falso, mesmo que melancólico, para viver a felicidade criada com planos que te incluem mas que ironicamente não são os teus planos. Eu queria muito que preocupações, medos, e incertezas soassem com certa brandura aos teus ouvidos, mas já que te incluístes nesse circo aproveite o espetáculo e tenha a honra de só se retirar após os aplausos finais.
Só não esquece que no final todo circo tem um palhaço.

Sábado, Novembro 12, 2005
















Dia após dia continuamos a viver a ilusão do amanhã. E nessa maldita mania de "tapar o sol com a peneira", prosseguimos no outono, permanecemos no morno, nos obrigamos a conviver com o talvez. Pra que o "talvez", um dia se torne feliz. Semi-viver.Enganamo-nos à nós mesmos, compreendendo a confiança sem jamais conseguir confiar. Achando que não vale mais à pena antes mesmo de se REALMENTE tentar. Sabendo o que há lá na frente a sua espera, tendo nas mudanças que não funcionam, não mais limites para se quebrar. Dando a mão ao vento, mesmo sabendo que se tornou pesado demais para se voar. E então assim, do nada, deixas de acreditar. Pensando que ainda há muito a se viver.Numa realidade dura e fria, joga teus panos quentes sobre tudo aquilo que não lhe convém pensar (quem dirá falar). Esquece do ser humano que habita por debaixo da carne. E cria um roteiro baseado no dia que terminares tua faculdade, perderes os kilos a mais, alcançares tua liberdade financeira, ou em qualquer outra bobagem que demarque a tua alegria. Recusamo-nos a acreditar que nada é para sempre. Adiando constantemente todas as chances de vida.E um dia olhas pra trás e vê um passado inteiro em branco. Sentas a tua cadeira e pensa nas oportunidades que deixastes escapar, escorrer por entre os dedos. Se lembra, do que adiantou uma semi-vida? Do que que serviu poder abrir os olhos e não conseguir sentir?Sonhos, tão solúveis quanto algodão-doce. Desmancham sem sequer ter a chance do tentar. E de repente de todos os medos, te esqueces do escuro, da injeção, do chefe ranzinza, das dores de amor, e encontras o maior, o da vida não vivida.

E depois disso, acredite.
Teu orgulho não passará de folha de papel higiênico.
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Ame equanto se pode amar (...)

Terça-feira, Novembro 08, 2005

Tenho medo ABSURDO de altura e não por menos. Sempre que estive lá no alto em questão de segundos desabei. Doeu, e ainda trago à tiracolo um coração aos remendos. Nesse exato momento meus pés e o chão possuem cargas opostas e se atraem de uma maneira que não consigo me mover. Talvez seja melhor, anda bem quentinho e seguro por aqui. Há não muito tempo atrás cautela era uma palavra que não fazia parte do me vocabulário. Hoje se fez necessário.
-Marina, não põe o dedo na tomada menina!
E eu colocava, sempre.
Tomava choque, doía, chorava e a próxima etapa era pensar que havia adquirido anticorpos contra aquela dor. Na tentativa seguinte tomava outro que assustava, doía, me fazia chorar.
E de lá pra cá a única coisa que passou foram alguns anos. Minhas teorias continuam infundadas e o rosto marcado de tanto dá-lo à tapa. Cresce menina, teus 15 anos ficaram lá atrás e do lado de fora da janela acontece uma vida que não faz a mínima questão de esperar por ti.

E pensando bem, não é mesmo verdade que os dias estão mais coloridos ultimamente.

Segunda-feira, Novembro 07, 2005

Algo bem chato mesmo é tentar controlar a ansiedade. Mais chato ainda é a sensação das expectativas frustradas. Quando você mal pode conter na expressão facial a alegria por ter uma mão para segurar com força, a bomba explode bem em cima da sua cabeça e o sorriso se esvai num passe de mágicas. E então você bate milhares de vezes sua cabeça na parede, querendo gritar o quanto está se achando uma burra. É, não deu. Agora senta e chora. Não sabe por que se deixou levar tanto ou qual motivo teve para acreditar que poderia tirar seus pés do chão antes da hora. Agora você está aí cheia de planos acumulados sem saber o que fazer com eles. O jeito é procurar uma caixinha do tamanho da sua decepção e depositar o que não é mais útil – não esqueça de todo esse sentimento de culpa e cobrança. Depois queime. Queime tudo. Deixe o fogo corroer e destruir. Ainda que pareça tolo e nem seja tão forte assim. Alguns dias vão passar e daqui a pouco você nem lembra mais, acredite. O prazo de validade expirou. Não se alimente mais do estragado.

Domingo, Novembro 06, 2005

Vieste, e vindo trouxe luz.
Me fez sentir o calor e o frio.
O estar, sem estar.
O conforto e a náusea.
O riso e o martírio.
Transformou o efêmero numa marca que teimosamente insiste em permanecer.
Me trás calma e depois a leva embora.
Vida, para uma vida sem vida.
Tenaz, Confuso, Quieto.
É Luz?
Porque brilha forte.
Então é fogo.
Porque queima.
Meus olhos estão cansados.
Cansados e confusos.
A luz me cega, o fogo arde.
E assim converte toda a minha angústia em vontade.